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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A manifesta presença de Deus

Adoração e louvor, ou louvor e adoração — para usar expressão da moda —, são termos usados à larga no segmento evangélico. Mais do que definição de estilos, elas definem atitudes. Representam um estado de espírito. Quem acompanha, hoje, o louvor musical nas igrejas percebe que há uma certa homogeneidade, não apenas de ritmos, como de atitudes. Todos levantam as mãos; todos têm certa expressão facial; todos adotam determinado vocabulário, carregado de expressões como “fluir”, “megulhar”, “liberar”. É uma busca generalizada pelo “encher-se do Espírito”. O crente de hoje é um crente metafísico. Ele quer experimentar sensações diante de Deus.

Parece que ficaram para trás a contrição e a contemplação que caracterizaram, durante tanto tempo, a liturgia das igrejas no que se refere ao cântico congregacional. Há coisa de uns 30, 40 anos, o que valia era tratar a condição humana através das letras das músicas — temas como o pecado, a graça, a santidade e o evangelismo eram dominantes. Os evangélicos cantavam coisas como “Eu, perdido pecador, longe do Senhor”, ou “Maravilhosa graça, maior que o meu pecar”. Nos apelos, era batata: “Alma cansada, vem já”. Era a época do louvor pragmático. O que valia era confrontar o pecador com sua própria condição. A música — ah, a música! — era aquela sucessão de acordes previsíveis, ritmo quatro por quatro, introdução, estribilho...

Havia, também, composições de forte teor testemunhal. Músicas que falavam dos milagres que Cristo opera, ou do processo de conversão. OK, é preciso admitir que este escriba tem certa nostalgia de outras épocas — afinal, cresci ouvindo os Vencedores por Cristo cantarem coisas como “Se eu fosse contar o que de alguém ouvi”, “Triste foi sua história, levado à cruz sem pecado algum” e por aí vai.

Mas os anos 90 chegaram e mudaram tudo. O sucesso dos chamados ministérios de louvor, com suas produções elaboradas e um discurso que enfatiza mais o sentir do que o agir, mudou definitivamente o panorama. Grupos lá de fora, e os similares nacionais conquistaram o povo evangélico, sobretudo a ala mais jovem. É só dar uma voltinha pelas igrejas para ouvir, obrigatoriamente, Aclame ao Senhor ou Quero beber do teu rio, Senhor, para citar apenas dois hits do momento.

O problema é, como preconizava o apóstolo Paulo, encontrar o equilíbrio para fazer determinadas coisas sem abrir mão de outras. É claro que as três fases — a do hinário, a do retroprojetor e a do datashow — descontados alguns exageros, surgiram marcadas por muita espiritualidade e pelo desejo sincero de adorar ao Senhor. Durante décadas, igrejas foram poderosamente edificadas com os louvores clássicos, que sedimentaram a fé de gerações de crentes; mais tarde, multidões de crentes saíram às ruas mostrando, através da música, que Jesus é o Senhor e que vale a pena viver ao lado dele; ultimamente, inúmeras pessoas têm experimentado um avivamento genuíno, embalado por canções que marcam a alma e levam a sensações de profunda intimidade com Deus. Mas há um só espírito, um só rebanho, um só pastor. Muitos estilos, mas uma só fé. O que importa é o que a Palavra sempre nos ensinou: adorá-lo em Espírito e em verdade. De maneira genuína. Sem estereótipos; sem modismos. Apenas com sinceridade.

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SALMO 126:vs3

Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cânticos; então se dizia entre as nações :
Grandes coisasfez o Senhor a estes.
Grandes coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres.

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Sou um jovem cristão novo convertido, não sou o melhor exemplo, mas procuro melhorar corrigindo meus erros. Amo minha esposa,que retribui esse amor igualmente sendo,sendo assim a melhor esposa que um homem poderia querer. Portanto sem mais delongas digo : Sou o que sou e é tudo que sou !!!

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